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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Invisível

Estou deitada na cama encarando o teto fixamente...
Perco um bom tempo nesse exercício...
Enquanto isso insisto em pensar no que tenho feito da minha vida. Escolhas, caminhos seguidos, decisões tomadas, sonhos caídos no caminho...
Um erro quase fatal.
Inicia-se então um processo de tomada de mim por uma angústia que me impacienta.
Olhar o teto fixamente já não parece mais interessante.
Preciso fazer algo...
Preciso correr.
O tempo está passando cada segundo mais rápido e não tenho nada do que eu sonhei que teria um dia.
Sou apenas mais alguém invisível.
Mais alguém completamente só.
Tenho ânsia de deixar um legado, de fazer história.
Anseio ser lembrada.
Me imortalizar através de algo.
O tempo está passando tão rápido...
E eu ainda sou tão jovem.
Queria apenas aproveitar cada segundo.
Abraços, carinhos, sorrisos...
Quero viver intensamente...
Quero ter um amor verdadeiro.
Alguém com quem compartilhar meus risos e minhas lágrimas.
Mas sou tão só, gosto de ser tão só... E ao mesmo tempo me angustia ser tão só.
Quero minha solidão.
Quero alguém com quem dividir minha solidão.
Ou melhor, quero aquele alguém.
O tempo está correndo cada vez mais rápido...
E ele está tão longe, ele ao menos pensa em mim?
Questões tão complexas com respostas tão simples: não!
Sou apenas mais alguém invisível que anseia ser lembrada.
Sou apenas mais alguém invisível que anseia por alguém que não me vê.
Enquanto isso o teto continua estático.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Sherazade, Bieber e o Marginalzinho do Poste.

Assistam antes de ler a estes comentários da jornalista Raquel Sherazade:



Eu sei que é um pouquinho mais complicado para as pessoas de classe média e alta compreenderem que essa disparidade do discurso dela chega a ser ridícula.
Mas vamos lá:
Explicando de maneira rápida e vaga, o "marginalzinho do poste" não é nenhuma figura pública, é apenas um neguinho de periferia. Sem escolaridade digna, sem moradia digna, sem um sistema de saúde digno.
O "marginalzinho do poste" pode não ser inocente, mas nosso sistema judiciário, até onde sei, não está aí pra matar ou espancar ninguém, ele serve pra recuperar esses indivíduos que possuem uma conduta ruim.
No entanto, nosso sistema judiciário é falho; nossos juízes, policiais, carcereiros, em boa parte, são corruptos, despreparados.
Não se tem uma assistência psicológica/psiquiátrica para esses indivíduos (Não se tem psicólogo nem pra sociedade em geral, imagine pra "marginal").
Simplesmente jogam todos dentro de uma cela e esperam que eles saiam de lá recuperados.
Não lhes dão uma profissão, não lhes dão ensino (Não fazem isso direito nem com a sociedade de modo geral, vão fazer com "marginal"?).
Não podemos esperar que indivíduos que estavam à margem da lei desde pequenos entrem em nossas prisões, que mais são conhecidas como faculdades do crime, e se recuperem.
Então vocês devem estar concordando com a repórter agora, o jeito é fazer "justiça com as próprias mãos"... Talvez... Mas não contra o "marginalzinho do poste", deve-se fazer justiça com as próprias mãos contra a base do problema, isto é, contra o nosso sistema.
Em 2005 o Brasil era o 8º país mais desigual do mundo. Levem em conta que essa desigualdade equivale à desigualdade de oportunidades, resultados, escolaridade, renda, gênero, etc. Em suma, desigualdade social/econômica.
Apenas 10% de toda nossa população concentra 42% de toda a renda do país. Se você não é bom com cálculos, eu explico:
Imagine que temos 100 pessoas e 100 reais. No Brasil, dessas 100 pessoas apenas 10 ficaram com 42 reais dos sem reais, ou seja, sobrou apenas 58 reais pra dividir entre 90 pessoas o que tá uma média de apenas 52 centavos pra cada uma...enquanto que aquelas 10 primeiras tem 4,20 rais cada uma. Conseguem entender o quanto isso é desigual?
Vamos levar em conta também que até nosso sistema de educação pública é um dos piores do mundo, ficou em 58º no ranking mundial (PISA) sendo que este calculava o índice de apenas 65 países.
Nossa taxa de analfabetismo é de 8,7% enquanto que os analfabetos funcionais (Aqueles alfabetizados mas mal sabem escrever o próprio nome) somam 18,3%.
Com todos esses dados, vocês acreditam realmente na teoria neo-liberal de que o individuo por si só é capaz de sair da miséria e ascender à classe média, por exemplo?
Sem um pouco de sorte, amigos, ninguém é capaz de operar este milagre.
E esquecendo todos estes dados a principal pergunta é:
Por que devemos pegar leve com o Justin Bieber e com o "marginalzinho do poste" não?
Por que o Justin Bieber é melhor que o "marginalzinho do poste"?
Estes discursos dualistas que tendem a julgar sempre o negro e pobre, condenando os "direitos humanos" por defender esses "marginaizinhos do poste" não apenas me enojam como mostram claramente o quanto é pequena a mentalidade das pessoas que transmitem essa neo-liberalismo conservador.